terça-feira, 25 de maio de 2010

NBA ► Ainda havia magia na cartola: Orlando Magic surpreende, vence Celtics em Boston e ganha sobrevida na final da Conferência Leste da NBA

Orlando Magic 96 x 92 Boston Celtics
Semifinal da Conferência Leste
(1 x 3)

Com um atuação realmente heroica de Dwight Howard, o Orlando Magic surpreendeu o Celtics diante da própria torcida em Boston e calou os gritos de "Beat L.A.!" para mostrar que seu time ainda respira na série que define o campeão da Conferência Leste da NBA, mesmo que ainda o faça por aparelhos.

O Super-Homem justificou o apelido, marcando 32 pontos, pegando 16 rebotes e ainda distribuindo quatro tocos. Principalmente, Howard não desistiu de qualquer jogada, salvando muitos arremessos equivocados de seus companheiros. Na foto aí abaixo, parece até que ele chega voando para enterrar. A partida, decidida na prorrogação, teve muitas das características a que nos acostumamos ver na Conferencia Leste, como defesa forte e muito contato, mas também foi disputada com muitos erros.

Pela primeira vez na série, o Magic conseguiu sair na frente no primeiro quarto, o que deve ter dado moral à equipe. Por alguns momentos, chegou a lembrar o Magic habitual das últimas duas temporadas, girando a bola em busca de um homem livre para arremessar de três e com Dwight Howard dominando a área pintada na briga por possíveis rebotes.

O jogo ganhou ares de dramaticidade quando o Magic deixou escapar uma vantagem de seis pontos a menos de três minutos do fim, graças, principalmente, a uma série de bobagens do armador Jameer Nelson, que parecia concentradíssimo no papel de Médico e Monstro do basquete. Os números dizem que Nelson foi bem: 23 pontos, acertando 50% de seus arremessos, cinco rebotes e nove assistências. E realmente foi. Mas, como diria a personagem Sally de "Harry e Sally, Feitos um para o Outro", em partes. Hum... Não, pelo que lembro, Sally diria "à parte". Mas se alguém estiver lendo, acho que entendeu.

Jameer Nelson (nessa primeira foto, em momento Médico) cometeu seis erros não forçados e nos momentos finais da partida tomou decisões que eu achei totalmente estapafúrdias. Ignorando o modo como o time estava ressuscitando na série, o armador simplesmente tomou a bola para si e parou de armar as jogadas, além de cometer erros bobos que poderiam ter custado a vida do Magic. Primeiro, errou um lance livre. Depois fez uma falta tola em Paul Piece, um tapinha daqueles que só servem para o adversário finalizar um ataque com três pontos. Já com a partida empatada, errou um passe forçado que por sorte foi recuperado no rebote defensivo por Rashard Lewis. Para completar as bobagens nesse fim de tempo normal, precipitou um chute com quase 10 segundos de posse bola restantes, errando e permitindo ao Celtics 17 segundos para atacar, o que só não foi decisivo porque um cansado Paul Pierce praticamente tropeçou nas próprias pernas, levando o jogo para a prorrogação.

E aí a faceta Médico e Monstro de Nelson ficou mais evidente: um pombo sem asas nem patas deu tabela e cesta de três,seguida de outra cesta de três, desta vez, digamos, com um arremesso decente, o que colocou  o Magic com seis pontos de vantagem a dois minutos do fim. Com a diferença em dois pontos, errou uma bandeja (recuperada por Howard) e teve a bola roubada de suas mãos nas duas posses seguintes, o que não foi aproveitado pelo Celtics. Enfim: Jameer Nelson, para o bem e para o mal, um dos destaques do jogo, garantia de fortes emoções.

Curiosamente, as ações tresloucadas de Nelson (na segunda foto, um momento Monstro) pelo Magic foi o que pareceu faltar ao Celtics. Por mais paradoxal que possa parecer, o forte jogo coletivo do time de Boston, sua maior força, foi seu pecado na hora de definir a partida. Não havia alguém que pegasse a bola e dissesse: "Deixa comigo agora." E não precisava ser um Kobe Bryant. Bastava um Jameer Nelson. Nos momentos finais do tempo normal e especialmente no último minuto da prorrogação, o Celtics seguiu com o plano coletivo, fazendo a bola rodar, sem preocupar-se com quem fosse parar, a despeito até das mãos quentes de Ray Allen no tempo extra, quando acertou duas cestas de três seguidas. O resultado é que, com quatro pontos de vantagem e faltando ainda 52 segundos, o Magic não precisou mais pontuar. Na rotação de bola do Celtics, dois chutes seguidos acabaram nas mãos de Paul Pierce, àquela altura visivelmente cansado, que acabou chutando aquelas bolinhas de braço curto que dão bico no aro. E pior: o último chute de esperança da linha de 3 acabou sendo de... Glen Davis!

No Orlando Magic, vale destacar J.J. Redick, que segue fazendo seus pontinhos lá do banco de reservas. Desta vez foram 12 (o mesmo que todo o banco do Celtics), acertando três de seis arremessos, todos os certos da linha de três pontos. E não dá para deixar de lado a péssima, horrível,desastrosa partida de Vince Carter, acertando apenas um arremesso em nove tentativas. Se o Magic ainda sonha com alguma coisa além de uma vitória de honra para evitar a varrida, Carter em hipótese alguma pode repetir essa atuação.

Pelo lado do Boston Celtics, aparentemente um tanto surpreendido pela resistência do Orlando Magic, um fato que pode ser preocupante: a visível queda de produção de suas veteranas estrelas no final da partida. Paul Pierce, que anotara 32 pontos e 11 rebotes até então, errou todos os seus quatro arremessos na prorrogação, sem que nenhum deles desse a impressão de que entraria, tal a forma errada com que saíam de suas mãos - além daquela perda de bola que revelou-se fatal no fim do quarto período. Kevin Garnett, que fizera 14 pontos acertando cinco em cinco, errou todos os seus últimos sete arremessos, alguns à sua feição, ficando sem sequer pontuar a partir do final do terceiro quarto, além de cometer erros de principiante, como um decisivo passe para as cadeiras faltando 42 segundos para a acabar o tempo extra. Problemas aparentemente físicos, de cansaço mesmo. Jogador de menor desgaste, Ray Allen (na foto acima), que poderia ter sido mais aproveitado, terminou com 22 pontos, acertando cinco bolas de três, inclusive aquelas duas na prorrogação. Pesou muito também para o Celtics a discretíssima atuação de Rajan Rondo, que realiza uma grande pós-temporada. Mas ontem ele ficou devendo e seus escassos nove pontos (errou sete de 10 arremessos) não foram suficientes para ajudar o time.

Restou em Boston o silêncio da torcida no final. Calaram-se os gritos de "Beat L.A.!", mas certamente ficou a certeza de que a definição do encontro com o histórico rival pelo título da temporada foi apenas adiada. Uma pulga atrás da orelha, porém, acho que está incomodando os torcedores verdes: a derrota de ontem seria sinal do temido desgaste físico do veterano trio de estrelas? Resposta na próxima quarta-feira em Orlando, quando o Magic também responderá se a vitória de ontem foi apenas aquele gol de honra para evitar uma humilhação maior ou o indício de que ainda há muita briga pela frente.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

NBA ► Stoudemire brilha e Phoenix Suns diminui vantagem do Los Angeles Lakers na final da Conferência Oeste

Los Angeles Lakers 109 x 118 Phoenix Suns
Final Conferência Oeste
(2 x 1)

Discretíssimo nas primeiras partidas da série em Los Angeles, onde só apareceu perdendo ótima chance de ficar calado (a tal história de dizer que Lamar Odom havia tido um "dia de sorte" no jogo 1), Amare Stoudemire finalmente deu as caras na final da Conferência Oeste da NBA. O ala de força jogou como o All Star que é e levou o Phoenix a Suns à vitória no jogo 3, diminuindo a vantagem do Los Angeles Lakers para 2 x 1.

Bastante agressivo o jogo inteiro, cedo Stoudemire (brigando com Ron Artest na foto) carregou em faltas Odom e, principalmente, Andrew Bynum. Somando as faltas ao joelho baleado, Bynum praticamente não pôde jogar. Possivelmente preocupado em poupar-se nos contatos para evitar também pendurar-se, Pau Gasol não forçou a marcação e isso abriu caminho para um show do astro do Suns. Na verdade, se no jogo 2 Gasol deitou e rolou sobre Stoudemire, desta vez ocorreu o contrário. Stoudemire fez o que quis no garrafão, terminando a partida com 42 pontos e 11 rebotes, com direito a pelo menos um "golaço": entrando pela direita da área pintada, gingou como um atacante de futebol por um lado, saiu pelo outro deixando Gasol a ver navios e fez a cesta no revés. Aproveitem enquanto está no Youtube:


Um detalhe na partida foi a patética contribuição dos bancos das duas equipes, com os jogadores atuando em um nível que nem em pelada do aterro conseguiriam vaga. Os cinco da rotação do Suns acertaram ridículos três arremessos em 21 tentativas, com destaque negativo absoluto para Channing Frye: além de errar todos seus sete chutes, chegou à bizarra marca de uma cesta convertida em 20 arremessos nos três jogos da série. Frye precisa desesperadamente de umas duas ou três cestas seguidas para recuperar a confiança, porque seus arremessos não dão pinta de que vão cair desde o momento que a bola sai de suas mãos. Mas Leandro Barbosa, Louis Amundson,Jared Dudley, Goran Dragic e Jarron Collins também podiam ter ficado em casa, porque praticamente em nada contribuíram na vitória do time. Dudley ainda conseguiu três roubadas de bola. E foi tudo.

Pelo lado do Lakers, o banco (ou seja: Odom, Shannon Brown e Jordan Farmar) não ficou atrás: acertou sete em 24 arremessos e cometeu sete erros não forçados, além de uma série de bobagens que acabaram comprometendo decisivamente o desempenho do time, principalmente no segundo período, quando o Suns pegou gosto pelo jogo, passou à frente e nunca mais foi ultrapassado no placar. O bom Odom foi o capitão do festival de tolices cometidos, atuando a maior parte do tempo de forma errática e optando por jogadas bem equivocadas. Brown só apareceu numa improvável enterrada no rebote de um lance livre desperdiçado por Bynum, num lance bem constrangedor para a defesa do Suns:


A crônica americana tem destacado a alteração da defesa do Suns, com o técnico Alvin Gentry optando pela zona e finalmente conseguindo diminuir o ritmo do Lakers a partir do segundo quarto. Pode ser, claro. Mas, na minha leiga opinião, acho que o resultado passa mais pelo desempenho individual dos jogadores. Desde o início a série destaca-se pelo aproveitamento dos times e pelo fato, já comentado aqui, do Suns nunca desistir de tentar impor seu ritmo de jogo, não permitindo assim ao Lakers o que chamo de "piscar" na partida, como num duelo. tanto que pontuar, o Suns pontuou bem em Los Angeles - só que o Lakers pontuou bem mais. Com Ron Artest muito irregular e Bynum fora de um lado e Grant Hill com imensos problemas para jogar marcando Kobe Bryant do outro, o jogo resumiu-se a quatro Suns contra três Lakers, todos jogando muito bem.


No Suns, ajudando Stoudemire, o pivô Robin Lopez teve muito boa atuação, marcando 20 pontos e brigando muito no garrafão, apesar disso não ter sido retratado em números, pois pegou apenas três rebotes. Jason Richardson é outro que finalmente apareceu na série, anotando importantes 19 pontos (mas continuo achando uma grande roubada a troca que o Suns fez para obtê-lo, perdendo o ótimo marcador Raja Bell e o mais versátil Boris Diaw). E Steve Nash comandou o time com suas 15 assistências e mais 17 pontos. Acabou sendo muito para o Lakers.

E foi muito para o Lakers mesmo com uma soberba atuação de Kobe Bryant. Muito seguro, o astro de Los Angeles ficou muito próximo de um triplo-duplo, anotando 36 pontos, nove rebotes e 11 assistências. Mesmo com problema de faltas, Derek Fisher foi outro jogador consistente, com 18 pontos, mais cinco rebotes e três passes decisivos. E Gasol, soft na defesa, foi muito bem nas ações ofensivas, terminando com 23 pontos e mais nove rebotes.

Agora a série ameaça ganhar corpo e o Suns certamente vai com tudo para o jogo 4, ainda diante de sua torcida. O time, um dos melhores da história da NBA da linha de 3, ainda tem a esperança de que uma hora qualquer essas suas bolas longas voltem a cair, o que pode fazer uma diferença danada a seu favor.

Pelo lado do Lakers, o time está acostumado a situações como essa e tanto pode jogar tudo para vencer a próxima partida e fechar a série sem precisar voltar ao Arizona (até porque o Boston Celtics deve "finalizar" o Orlando Magic em quatro jogos e ganhar precioso tempo a mais de descanso), como, se achar que as coisas estiverem se tornando muito difíceis, segurar-se como um tenista com uma quebra de saque a seu favor para apenas fazer valer seu mando de quadra no jogo 5. Assim a pressão voltaria toda aos ombros de Steve Nash, Amare Stoudemire e seus companheiros no jogo 6, ficando o time de Kobe ainda com o trunfo da "Bola 7" em casa para decidir a série.

domingo, 23 de maio de 2010

FUTEBOL ► Deco? Cléber Santana? O Fluminense não sabe investir mesmo...

O neutro site baiano Jornal da Mídia (http://www.jornaldamidia.com.br) destacou em manchete: "Juiz erra muito e Fluminense perde para o Corinthians". Pois é, falar sobre o futebol brasileiro é como falar em apostas em jogos de azar: você sabe que é ilegal, que os resultados são viciados e que, sempre que não vencer, vai ficar com a suspeita de que foi roubado. Isso porque chega a ser patético acreditar que apenas um árbitro (no caso, Edílson Pereira de Carvalho) e mais ninguém ligado ao futebol profissional estava envolvido na máfia de resultados desse esporte. Qualquer pedaço de concreto de arquibancada neste país sabe que o buraco é mais embaixo. Jornalista que acredita no contrário só posso reputar como muito ingênuo, bobo, incompetente ou suspeito.

Assim começou mais um Campeonato Brasileiro, sobre o qual eu disse a mim mesmo que não perderia tempo escrevendo. Tanta coisa mais interessante, divertida e honesta por aí... Mas continuaria, claro, torcendo pelo meu time, no caso, o Fluminense, na doce ilusão de que ao menos façam resultados ou errem - e errem com e sem aspas - a nosso favor.

Mas "erros" ou erros só costumam acontecer com frequência contra clubes de pouca força nos bastidores, apenas esporadicamente ocorrem contra clubes fortes. E sigo torcendo mesmo sabendo que o Fluminense de Roberto Horcades tornou-se um clubeco, habitualmente prejudicado por arbitragens tanto em jogos contra clubes fortes como contra outros de menor expressão.

Neste campeonato, nosso choro começou na estreia contra o simpático Ceará: um lance de falta sobre um jogador nosso não marcada deu origem a um pênalti cavado pelo atacante adversário, seguido de uma contestada expulsão do zagueiro que teria cometido o pênalti, uma posterior repetição da cobrança após a defesa de nosso goleiro por se adiantar antes da cobrança, mesmo com o cobrador tendo feito a irregular, patética e idiota presepada que chamam de paradinha, o que praticamente impossibilita fisicamente o goleiro de não se mover para a frente. Diversas variáveis, todas decididas pelo renomado infeliz árbitro - só sendo muito infeliz para tantas atuações confusas ao longo da carreira, né mesmo? - Paulo Cesar de Oliveira contra o Fluminense.

Hoje, no Pacaembu, os gaúchos Leonardo Gaciba da Silva, Marcelo Bertanha Barison e João Monteiro de Souza Júnior garantiram nossa derrota contra o Corinthians. Mesmo o narrador e o comentarista do Premiere SporTV desde o início da partida apontavam os seguidos "erros" (as aspas são minhas, tenho o direito de duvidar de tudo que vejo em nosso futebol...) da arbitragem, sempre contra o Fluminense: uma falta que não houve que resultou no gol da vitória corintiana, um impedimento mal marcado aqui, um impedimento estupidamente assinalado ali (coisa difícil de perceber, "apenas" mais de dois metros e meio de condição de jogo para o atacante) ali, falta inexistente pra lá, falta não marcada pra cá... Vira o lado: que coisa, parece até que o bandeirinha também virou! mas , não, era outro, cometendo dois outros erros terríveis em lances de gol! São muitos lances em que, com boa vontade, podemos conceder o benefício da dúvida, mas sempre decididos a favor do mesmo lado. Quanta coincidência, é muito azar, caramba! Esse time precisa se benzer! (Sentiram o sarcasmo?)

E o pior é que um lance cavado dentro da área no final da partida por um atacante do Corinthians (o que está ficando conhecido, felizmente, por "pênalti à brasileira") ainda vai dar margem a jornalistas bobos, ingênuos ou comprometidos de dizer: "Errou para os dois lados." Oh, sim, claro, gerou uma vantagem de um gol para o adversário, impediu um possível empate em mais de uma ocasião e um suposto erro no fim iguala tudo... Santa falta de perspectiva, diria o Menino Prodígio.

Obviamente, não é só nos jogos do meu Fluminense que isso acontece. São erros tão descarados que nos dá o direito de suspeitar de que a máfia de resultados segue a todo vapor, com ou sem Edílson Pereira de Carvalho. O próprio Ceará, beneficiado contra o Flu, foi vítima de uma suspeita arbitragem do mineiro Ricardo Marques Ribeiro. Como não suspeitar de um juiz que num domingo assassina as possibilidades do Ipatinga de ser campeão mineiro em um jogo contra o Corinthians, não assinalando, entre outras situações, lances claros de pênalti contra o Cruzeiro e no outro erra duas vezes marcando pênaltis inexistentes cavados pelo "Neymarscaicairado", Rei do Cai Cai de nosso futebol, no jogo do Ceará contra o Santos na Vila Belmiro? Pelo menos aqui vemos um padrão de comportamento: o infeliz árbitro dá o azar de errar seguidamente contra os clubes ditos de menor expressão, favorecendo os grandes... Sorte deu o Ceará que ainda conseguiu sair com um pontinho do litoral paulista.

E vários outros jogos deste campeonato ainda no início já foram definidos pela arbitragem. Um campeonato, portanto, viciado desde o ventre. Por essas e outras que, nos tempos em que o Fluminense jogava nas Laranjeiras e o árbitro entrava em campo bem pertinho de onde eu ficava (na verdade, em estádio pequeno árbitros e jogadores estão sempre pertinho de onde você está), eu pedia: "Meu Deus do Futebol (para não confundir com o de verdade, que tem coisas muito mais sérias com que se preocupar, esse negócio de misturar futebol e religião é papo para um posto um dia desses), faça com que esse ladrão roube para o meu time, senão ele vai roubar para o outro!"

Vejam só: e o Fluminense alardeando por aí que está negociando com Deco, Cléber Santana... Melhor seria investir nos bastidores, para que pelo menos garanta vencer, empatar  ou perder por seus próprios méritos ou deméritos. E não nos deixar ficar sempre com a pulga atrás da orelha depois de jogos como o de hoje, porque para nós, torcedores, é humilhante ver que nosso clube não tem moral alguma e que, na dúvida (ou mesmo sem dúvida alguma!), a bola é sempre do adversário.

O dia em que alguém se der ao trabalho ou tiver o interesse de levantar comparativamente as atuações e decisões desses árbitros nacionais jogo a jogo... Sei não, acho que não fica pedra sobre pedra na já combalida credibilidade do futebol brasileiro.

NBA ► Boston Celtics humilha Orlando Magic, faz 3 x 0 e põe a mão no título da Conferência Leste

Orlando Magic 71 x 94 Boston Celtics
Final Conferência Leste
(0 x 3)

Consegui assistir a alguns momentos do primeiro quarto e, pelo pouco que vi, não fiquei com nenhuma dúvida: o Orlando Magic ia ser mais uma vez atropelado pelo Celtics. A única diferença é que o jogo agora era em Boston.

Não se via em nenhum momento no time de Orlando qualquer traço de competitividade, de fibra, que mostrasse que aquilo ali era uma partida válida por uma final de conferência da NBA. Apático, cabisbaixo, inseguro, o Magic foi uma caricatura do time forte que varreu dois adversários nos playoffs até encontrar o Celtics pela frente. Entrou derrotado, saiu humilhado, chegando a estar mais de 30 pontos atrás no placar.

Segundo as resenhas e as estatísticas, nada, absolutamente nada a destacar no Orlando Magic.Nada que valha a pena estender-sem neste parágrafo.

Já o Boston mostrou aquela força coletiva que faz com que ninguém precise ser um Kobe Bryant, um LeBron James ou um Dwyane Wade para salvar o time. As atuações foram consistentes e equilibradas. Paul Pierce fez 15 pontos e pegou nove rebotes, Ray Allen conseguiu 14 pontos, e seis rebotes e assistências, Rajon Rondo (que chutou muito mal!) saiu com 11 pontos e 12 assistências... O cestinha, vejam só, foi o rechonchudo ala de força reserva Glen Davis (foto), com 17 pontos - e ainda seis rebotes. Números nada espetaculares, mas que funcionam em conjunto para um time contra o qual o adversário não consegue atacar. O Celtics limitou o Magic a 12 pontos no primeiro quarto e a 13 no terceiro. Como diria uma professora de Português que tive no antigo segundo grau, cujo nome infelizmente não recordo agora, o Orlando Magic está bem encalacrado.

Parece que, a esta altura, Dwight Howard, após uma atuação "sem comentarios", deve ter colocado sua capinha de Super-Homem de molho. Para repetir essas pífias atuações na série no jogo 4, melhor faria o Magic se entrasse com seus reservas, porque assim teria uma desculpa ao conseguir a façanha de ser varrido após varrer dois adversários nas fases anteriores. Só se houver um último e milagroso nas mangas, mas eu, aqui rasgando o teclado, não acredito. Acho que dessa cartola não sai mais nem coelhinho de Páscoa, quanto mais um de verdade. Em Boston, todos têm certeza disso, tanto que o pensamento dos torcedores já está bem distante: "Beat L.A.!" é o grito que sai de seus pulmões.



sexta-feira, 21 de maio de 2010

CINEMA ► "Roberto Carlos em Ritmo de Aventura": eu acho muito legal!

Aproveitando uma pausa nos playoffs da NBA, que, conforme qualquer pessoa que se disponha a ler este blog já deve ter percebido, anda consumindo meu tempo livre, me deu vontade de escrever sobre uma coisa legal. Bem, legal para mim.

Feito no final dos anos 60, na esteira dos filmes de divulgação dos Beatles "A Hard Day's Night" e "Help" e no auge da Jovem Guarda, "Roberto Carlos em Ritmo de Aventura" foi o primeiro da trilogia que Roberto Carlos protagonizou no cinema, seguido por "Roberto Carlos e o Diamante Cor de Rosa" e "Roberto Carlos a 300km por Hora".

Por que estou escrevendo sobre isso? Simples: outro dia cometi o terrível erro de sintonizar no Canal Brasil quando passava mais uma reprise do filme. E lá fui eu, mais uma vez, ficar preso assistindo como que hipnotizado, pela enésima vez, àquele para mim divertidamente costurado desfile despretensioso de clipes de canções irresistíveis. Não por acaso, o álbum de mesmo nome, base da trilha sonora do filme, foi o vencedor em uma votação promovida pelo o Jornal do Brasil em 2005 sobre discos que emplacaram diversos sucessos ao mesmo tempo na música brasileira. (Fonte: Wikipédia)

E em minha opinião, despretensioso é uma palavra-chave. Sempre digo que um filme deve ser avaliado de acordo com sua pretensão. Pelo menos, por mim...rs. Querer analisar filmes como os dos Beatles e de RC sob a rigorosa ótica de estética, visual, roteiro, continuidade e outros blablablás cinematográficos é tolice. Não são filmes feitos com essa preocupação. E esses filmes de RC seguem estritamente essa linha de total despretensiosidade, com a única intenção de divulgar a imagem do cantor de uma maneira leve, divertida, através de sucesso em cima de sucesso, músicas que várias gerações conhecemos de cor e salteado. Nada para se levar a sério. Apenas para divertir aqueles que gostam dessas músicas. Como eu.

Comparando com os originais dos Beatles, meu grande amigo, ex-pupilo e hoje mestre, Paulo Fontenelle que me desculpe, mas acho os de RC bem mais legais. O encadeamento das músicas é mais direto, sem muita pausas. A ingênua história metalinguistica da gravação de um filme de um ídolo da Jovem Guarda (adivinhe quem?) em que o ator que interpreta o vilão tenta de todas as formas matar o mocinho e evitar morrer mais uma vez no final é simples e espirituosa. Além, claro de ser pretexto para mostrar Roberto Carlos pilotando helicóptero, Roberto Carlos dirigindo carrão, Roberto Carlos pilotando avião da Esquadrilha da Fumaça (!),Roberto Carlos a bordo de foguete, Roberto Carlos dirigindo trator (!!), Roberto Carlos guiando barcos,Roberto Carlos dirigindo tanque (!!!), Roberto Carlos cercado de garotas, Roberto Carlos fugindo de bandidos, Roberto Carlos capturado por bandidos, Roberto Carlos batendo em bandidos, Roberto Carlos explodindo... e tem até Roberto Carlos cantando.

O Roberto Carlos propriamente dito, o real, encarnava um mocinho simpático e aventureiro (eu diria "safo", mas não existia essa expressão na época). A direção de Roberto Farias é ágil, sem maiores preocupações além de emendar uma cena à outra, quase sempre através de sucessos contagiantes. Reginaldo Farias, no papel do tresloucado diretor do filme fictício, e José Lewgoy, como o inconformado vilão que não aguenta mais morrer no fim, estão divertidamente impagáveis. Mas o destaque do filme são aquelas canções que marcaram uma época e que não saem da cabeça de muita gente. Inclusive da minha, claro, que cresci ouvindo os discos de Roberto Carlos que mamãe não cansava de ouvir na vitrola.

Êpa! Para quem não está ligando o nome ao significado (ou seja, não tem tanta idade assim), "vitrola", segundo definição do Michaelis: "aparelho elétrico para reprodução de sons gravados em discos." Bem, hoje quem conhece vitrolas chama de pick ups, que sobrevivem principalmente como instrumento de trabalho de DJs (outrora chamados de "disk jóqueis"), mas bem diferentes do exemplo da foto aí ao lado.

Seguindo... Simplesmente acabo não conseguindo mudar de canal com músicas como "Eu sou terrível", "De que vale tudo isso" e "Você Não Serve pra Mim" muitas vezes rechedas de imagens do Rio de Janeiro de 1968 - não fosse eu um apaixonado por imagens antigas da cidade.

Aí embaixo, direto do YouTube, a sequência de "Você Não Serve Pra Mim":



Cenas como o voo de helicóptero que começa no centro da cidade, passa sob o Túnel do Pasmado, vai à Zona Sul, praia, Corcovado, passeia pelo Centro, Santa Teresa, até aterrissar sobre o prédio do então Banco do Estado da Guanabara,  começando com "Namoradinha de um Amigo Meu" e terminando com "Canzone per Te" são irresistíveis. Se bem que, melhor do que eu ficar aqui tentando descrever, mais vale curtir mais uma cortesia do YouTube, essa sequência em duas partes:




Não é um graaaaaaaaaande filme nem foi feito com qualquer pretensão nesse sentido. Mas é agradável pra caramba de ver, mora?