quarta-feira, 1 de setembro de 2010

POLÍTICA ► Deu na internet: "Consolidar a ruptura histórica operada pelo PT", artigo de Leonardo Boff

Segue reprodução de excelente artigo assinado pelo teólogo, filósofo e escritor Leonardo Boff, autor de "Depois de 500 anos: que Brasil queremos" (Vozes, 2000), no ótimo site Adital.

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30.08.10 - BRASIL
Consolidar a ruptura histórica operada pelo PT
Leonardo Boff
Para mim o significado maior desta eleição é consolidar a ruptura que Lula e o PT instauraram na história política brasileira. Derrotaram as elites econômico-financeiras e seu braço ideológico, a grande imprensa comercial. Notoriamente, elas sempre mantiveram o povo à margem da cidadania, feito, na dura linguagem de nosso maior historiador mulato, Capistrano de Abreu, "capado e recapado, sangrado e ressangrado". Elas estiveram montadas no poder por quase 500 anos. Organizaram o Estado de tal forma que seus privilégios ficassem sempre salvaguradados. Por isso, segundo dados do Banco Mundial, são aquelas que, proporcionalmente, mais acumulam no mundo e se contam, política e socialmente, entre as mais atrasadas e insensíveis. São vinte mil famílias que, mais ou menos, controlam 46% de toda a riqueza nacional, sendo que 1% delas possui 44% de todas as terras. Não admira que estejamos entre os países mais desiguais do mundo, o que equivale dizer, um dos mais injustos e perversos do planeta.

Até a vitória de um filho da pobreza, Lula, a casa grande e a senzala constituíam os gonzos que sustentavam o mundo social das elites. A casa grande não permitia que a senzala descobrisse que a riqueza das elites fora construída com seu trabalho superexplorado, com seu sangue e suas vidas, feitas carvão no processo produtivo. Com alianças espertas, embaralhavam diferentemente as cartas para manter sempre o mesmo jogo e, gozadores, repetiam: "façamos nós a revolução antes que o povo a faça". E a revolução consistia em mudar um pouco para ficar tudo como antes. Destarte, abortavam a emergência de outro sujeito histórico de poder, capaz de ocupar a cena e inaugurar um tempo moderno e menos excludente. Entretanto, contra sua vontade, irromperam redes de movimentos sociais de resistência e de autonomia. Esse poder social se canalizou em poder político até conquistar o poder de Estado.

Escândalo dos escândalos para as mentes súcubas e alinhadas aos poderes mundiais: um operário, sobrevivente da grande tribulação, representante da cultura popular, um não educado academicamente na escola dos faraós, chegar ao poder central e devolver ao povo o sentimento de dignidade, de força histórica e de ser sujeito de uma democracia republicana, onde "a coisa pública", o social, a vida lascada do povo ganhasse centralidade. Na linha de Gandhi, Lula anunciou: "não vim para administrar, vim para cuidar; empresa eu administro, um povo vivo e sofrido eu cuido". Linguagem inaudita e instauradora de um novo tempo na política brasileira. O "Fome Zero", depois o "Bolsa Família", o "Crédito Consignado", o "Luz para Todos", o "Minha Casa, minha Vida, o "Agricultura familiar, o "Prouni", as "Escolas Profissionais", entre outras iniciativas sociais permitiram que a sociedade dos lascados conhecesse o que nunca as elites econômico-financeiras lhes permitiram: um salto de qualidade. Milhões passaram da miséria sofrida à pobreza digna e laboriosa e da pobreza para a classe média. Toda sociedade se mobilizou para melhor.

Mas essa derrota infligida às elites excludentes e anti-povo, deve ser consolidada nesta eleição por uma vitória convincente para que se configure um "não retorno definitivo" e elas percam a vergonha de se sentirem povo brasileiro assim como é e não como gostariam que fosse. Terminou o longo amanhecer.

Houve três olhares sobre o Brasil. Primeiro, foi visto a partir da praia: os índios assistindo a invasão de suas terras. Segundo, foi visto a partir das caravelas: os portugueses "descobrindo/encobrindo" o Brasil. O terceiro, o Brasil ousou ver-se a si mesmo e aí começou a invenção de uma república mestiça étnica e culturalmente que hoje somos. O Brasil enfrentou ainda quatro duras invasões: a colonização que dizimou os indígenas e introduziu a escravidão; a vinda dos povos novos, os emigrantes europeus que substituíram índios e escravos; a industrialização conservadora de substituição dos anos 30 do século passado mas que criou um vigoroso mercado interno e, por fim, a globalização econômico-financeira, inserindo-nos como sócios menores.

Face a esta história tortuosa, o Brasil se mostrou resiliente, quer dizer, enfrentou estas visões e intromissões, conseguindo dar a volta por cima e aprender de suas desgraças. Agora está colhendo os frutos.

Urge derrotar aquelas forças reacionárias que se escondem atrás do candidato da oposição. Não julgo a pessoa, coisa de Deus, mas o que representa como ator social. Celso Furtado, nosso melhor pensador em economia, morreu deixando uma advertência, título de seu livro A construção interrompida (1993): "Trata-se de saber se temos um futuro como nação que conta no devir humano. Ou se prevalecerão as forças que se empenham em interromper o nosso processo histórico de formação de um Estado-Nação" (p.35). Estas não podem prevalecer. Temos condições de completar a construção do Brasil, derrotando-as com Lula e as forças que realizarão o sonho de Celso Furtado e o nosso.

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Assino embaixo.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

IMPRENSA ► O blues nasceu tanto na África quanto a bossa nova nasceu na Europa, certo?

Adicionar legenda
Sem querer ser o dono da razão, mas opinando porque a internet é livre, acho que os veículos de imprensa perderam de vez o cuidado com a qualidade do material que produzem. De vez em quando dou exemplos aqui porque é algo que me incomoda. Afinal, é minha profissão.

Uma coisa é pessoas como eu cometerem erros em meios como este, já que o fazem por puro diletantismo, passatempo, distração ou o que for. Outra é um profissional receber para isso e alguém pagar para receber informações equivocadas.

Já postei aqui alguns exemplos que me incomodaram. Aqui vai mais um. Esta semana, fechando uma matéria num dos jornais da Globo News sobre o recente evento Back2Black Festival, realizado no Rio de Janeiro, a repórter encerrou seu texto dizendo que o blues nasceu na África. Não é bem assim. Na verdade, não é nada assim.

O blues nasceu tanto na África quanto a bossa nova nasceu na Europa. Não se devem confundir raízes com a formatação de um estilo. Dizer que o blues nasceu na África é o mesmo que dizer que eu, você e todos à nossa volta somos africanos. Afinal, foi lá que foram encontrados indícios mais antigos da presença do homem moderno.

O que parece é que ninguém revisou a matéria para corrigir a informação ou revisou e achou que era aquilo mesmo. Ou, pior, ninguém liga para a qualidade do que é produzido. O que importa é cumprir pauta e finalizar o trabalho.

A pessoa mais desatenta acaba tomando por verdade uma mentira como essa. E, com o tempo, a mentira vai se perpetuando como verdade.

No fim, por linhas tortas segue-se uma não menos torta máxima jornalística: se a lenda é mais interessante que o fato, publique-se a lenda. E dane-se a verdade.

É minha opinião.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

FÓRMULA 1 ► Lewis Hamilton vence em Spa-Francorchamps e polariza campeonato com Mark Webber

Ainda a seis corridas do final da temporada de Fórmula 1, parece que a inconsistência de Sebastian Vettel e os azares de Jenson Button vão deixar a competição polarizada entre o inglês Lewis Hamilton e o australiano Mark Webber. No Grande Prêmio da Bélgica, disputado no lindo e desafiador circuito de Spa-Francorchamps, sob sol, chuva e o que mais a natureza mandasse, Hamilton chegou na frente, seguido de Webber e do polonês Robert Kubica (mais um grande desempenho). Agora Hamilton lidera com três pontos de vantagem sobre Webber, que já tem 28 a mais que seu companheiro de equipe, Vettel, e 32 que Button.

Foi uma corrida de minimização dos erros, porque, como de hábito, o tamanho do circuito e o clima da região tornam cada volta um desafio a superar. Mesmo Hamilton não pode evitar uma escapada na brita, precisando de muito talento para não se chocar com o muro de proteção e manter-se na prova.

Logo após a largada, com tempo seco, desabou um aguaceiro no meio da volta que encharcou a pista a pista na região chamada de Bus Stop, fazendo quase todos os pilotos dar um passeio na área de escape. Pior para Rubens Barrichello. Rubinho, que completava 300 corridas não achou o freio e deu o azar de encontrar pela frente um dos poucos carros que fazia a curva dentro da pista, a Ferrari de Fernando Alonso.


Ali acabou a corrida de Barrichello, mas Alonso parou logo no boxe e aproveitou para colocar os pneus de chuva para tentar tirar proveito do acidente. Mas não era dia do espanhol, porque a chuva não durou muito e ele logo teve que fazer nova prematura entrada nos boxes. Depois a chuva voltou. E parou. E voltou...

Felipe Massa conseguiu um bom 4ª lugar, mas parece conformado com uma discreta temporada. Lucas di Grassi foi 17º e Bruno Senna parou na sexta volta.

O destaque negativo da prova foi Sebastian Vettel, cuja caixinha de asneiras parece ter sempre uma surpresa a mais. Desta vez, o rápido alemão provocou uma incrível colisão com Jenson Button. Uma barbeiragem daquelas. Na tentativa de ultrapassar o inglês, com pista seca, Vettel entrou rápido na reta, mas, ao se aproximar do carro da frente, parece ter ficado indeciso sobre que movimento deveria fazer. Ameaçou sair por um lado, recolheu e aí quem decidiu sair sozinho foi o carro, que rabeou e entrou de bico na carenagem da McLaren de Button, furando o radiador de uma maneira nunca vista na Fórmula 1. A McLaren parecia um avião abatido, fatalmente atingido, com um jato d'água forte saindo da lateral como se fosse fumaça.


Do lado positivo, além de Hamilton, Webber e Kubica, Nico Rosberg lutou com unhas e dentes para chegar à frente de Michael Schumacher - e conseguiu. A Mercedes já deve ter percebido que se não tivesse priorizado o veterano e recordista alemão em detrimento do mais jovem após as primeiras provas, Nico certamente estaria com uma pontuação bem maior.

Colocação final após as 44 voltas do GP da Bélgica:

1º) Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes) - 1h29m04s268
2º) Mark Webber (AUS/RBR-Renault) - a 1s571
3º) Robert Kubica (POL/Renault) - a 3s493
4º) Felipe Massa (BRA/Ferrari) - a 8s264
5º) Adrian Sutil (ALE/Force India-Mercedes) - a 9s094
6º) Nico Rosberg (ALE/Mercedes) - a 12s359
7º) Michael Schumacher (ALE/Mercedes)- a 15s548
8º) Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari) - a 16s678
9º) Vitaly Petrov (RUS/Renault) - a 23s851
10º) Vitantonio Liuzzi (ITA/Force India-Mercedes) - a 34s831
11º) Pedro de la Rosa (ESP/Sauber-Ferrari) - a 36s019
12º) Sebastien Buemi (SUI/STR-Ferrari) - a 39s895
13º) Jaime Alguersuari (ESP/STR-Ferrari) - a 49s457
14º) Nico Hulkenberg (ALE/Williams-Cosworth) - 43 voltas
15º) Sebastian Vettel (ALE/RBR-Renault) - 43 voltas
16º) Heikki Kovalainen (FIN/Lotus-Cosworth) - 43 voltas
17º) Lucas di Grassi (BRA/VRT-Cosworth) - 43 voltas
18º) Timo Glock (ALE/VRT-Cosworth) - 43 voltas
19º) Jarno Trulli (ITA/Lotus-Cosworth) - 43 voltas
20º) Sakon Yamamoto (JAP/Hispania-Cosworth) - 42 voltas

Não chegaram:

21º) Fernando Alonso (ESP/Ferrari) - 38 voltas
22º) Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes) - 15 voltas
23º) Bruno Senna (BRA/Hispania-Cosworth) - 6 voltas
24º) Rubens Barrichello (BRA/Williams-Cosworth) - 1 volta

Classificação do Mundial de Pilotos após 13 provas:

1º) Lewis Hamilton - 182
2º) Mark Webber - 179
3º) Sebastian Vettel - 151
4º) Jenson Button - 147
5º) Fernando Alonso - 141
6º) Felipe Massa - 109
7º) Robert Kubica - 104
8º) Nico Rosberg - 102
9º) Adrian Sutil - 45
10º) Michael Schumacher - 44
11º) Rubens Barrichello - 30
12º) Vitaly Petrov - 19
13º) Kamui Kobayashi - 17
14º) Vitantonio Liuzzi - 13
15º) Nico Hulkenberg – 10
16ª) Sebastien Buemi – 7
17ª) Pedro de la Rosa - 6
18ª) Jaime Alguersuari - 3

Classificação do Mundial de Construtores:

1º) McLaren -Mercedes - 329
2º) Red Bull -Renault - 330
3º) Ferrari - 250
4º) Mercedes - 146
5º) Renault - 123
6º) Force India-Mercedes - 58
7º) Williams -Cosworth - 40
8º) Sauber-Ferrari - 27
9º) STR-Ferrari - 10
10º) Lotus-Cosworth - 0
11º) VRT-Cosworth - 0
12º) Hispania-Cosworth - 0

FUTEBOL ► CBF adia jogo para Corinthians comemorar aniversário

Falar de favorecimento da CBF de Ricardo Teixeira ao Corinthians de Andrés Sanches é como chover no molhado, secar gelo, bater em bêbado ou qualquer outra expressão do gênero que expresse algo sem valor, sem efeito ou redundante. Mas quando fatos se sucedem assim...

Após uma semana em que decidiu arbitrária e injustificadamente (ou melhor, com justificativas patéticas e idiotas) interditar todo o Maracanã ao menos 45 dias antes do previsto (se necessário fosse antes do fim do ano) por não poder receber mais de 45 mil torcedores e dar um estádio de 48 mil lugares ao Corinthians para receber até a Copa do Mundo, a CBF segue sem medir esforços para ajudar os amigos, no tradicional estilo "toma lá, dá cá" de Ricardo Teixeira.

Agora, Brasileirão pegando fogo, principal competição de futebol do país, a CBF adia o jogo do Corinthians contra o Vasco em São Januário, no dia 1º de setembro, sob o prosaico motivo de permitir que o Corinthians comemore seu 100º aniversário em casa.

Mas não adiou para o dia seguinte ou mesmo antecipou o jogo. Adiou para dali a mais de 40 dias. Assim, em plena maratona de jogos quarta-domingo-quarta-domingo, o Timão tem uma semana livre para festejar - e treinar.

Ué, mas isso não é análogo ao tal "esta deliberação tem por escopo, também, manter a igualdade de condições entre os clubes participantes do Campeonato, que poderiam ser prejudicados caso a interdição do uso do estádio ocorresse em meio do returno do Campeonato" que a CBF usou como justificativa, divulgada em nota oficial, para a interdição do Maracanã?
Pergunta que não quer calar: será que a CBF de Ricardo Teixeira faria o mesmo por Flamengo ou Fluminense?

E não é ridículo que a grande maioria dos jornalistas esportivos apontem uma clara retaliação da CBF ao Fluminense por não ter cedido Muricy Ramalho à seleção brasileira? Será que não dava para disfarçar um pouco melhor?

Enfim, é apenas mais um fato desmoralizante que parece mostrar que o Campeonato Brasileiro da CBF é feito mais para uns que para outros.

Mas moral é palavra que não faz parte do dicionário CBFelesco, não é mesmo? Moral, ética, vergonha...

A CBF ainda é um dos resquícios do Brasil que dizia amém para o capital, a cultura e as diretrizes que vinham do estrangeiro. Na política e na economia nacional isso não existe mais. Mas o futebol, infelizmente, é independente e por isso está nas mãos de um ditador mantido no poder por asseclas espalhados por federações falidas, que, por sua vez, são eleitos até por clubes e ligas municipais fantasmas. Depois a CBF não sabe por que muitos torcedores a chamam de Casa Bandida de Futebol.

Mas um dia isso acaba.

É a minha opinião.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

RIO DE JANEIRO ► E aí, vai dar primeira página? Ah, é, não foi na Zona Sul...

Até quando a sociedade carioca e a mídia vão continuar a agir hipocritamente, reverberando com destaque apenas o que acontece no mundinho da Zona Sul do Rio de Janeiro? Abaixo, reprodução do G1:

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22/08/2010 12h36 - Atualizado em 22/08/2010 12h36
Jovem é morto após sair de baile funk no subúrbio do Rio


Ele estava acompanhado da namorada e casal de amigos.
Rapaz não tinha antecedentes criminais.

Do G1 RJ

Um jovem foi morto a tiros quando saía de um baile funk em Manguinhos, no subúrbio do Rio, na manhã deste domingo (21). De acordo com a Polícia Civil, ele estava acompanhado da namorada e um casal de amigos quando foi abordado por dois homens.

O rapaz, de 21 anos, foi morto próximo ao Colégio estadual Compositor Luiz Carlos da Vila. Segundo a polícia, testemunhas contaram que o jovem foi baleado no peito e nas axilas. As testemunhas contaram que, ao mesmo tempo que os assassinos mandaram ele “ir embora” fizeram os disparos contra a vítima.

O rapaz chegou a ser levado para um posto médico em Bonsucesso, mas não resistiu. De acordo com agentes da 21ª DP (Bonsucesso), onde o caso foi registrado, não há passagens da vítima pela polícia. O caso foi encaminhado para a Delegacia de Homicídios.
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Pois é, nem primeira página nem quatro páginas de meio. Muito menos discussões pseudoantropológicas sem fim.

É minha opinião.

FUTEBOL ► Cretina decisão da CBF segue estapafúrdias declarações corintianas

Irônica coincidência a repentina e autoritária decisão da CBF de proibir o Fluminense de jogar no Maracanã logo após estapafúrdias e desqualificadas declarações do treinador Adilson Batista e do veterano lateral Roberto Carlos, ambos do Corinthians.

Adilson Batista começou a bater com esquisita insistência na tecla de que "o Fluminense vai perder um dia". Ora, claro que vai. Como perdeu para o Corinthians, numa partida em que foi vergonhosamente prejudicado pela arbitragem. Aliás, da mesma forma perdeu para o Ceará.

Já Roberto "No Meu Pulso Tem Um Apartamento De Quatro Quartos" Carlos fez insinuação de que os adversários entregam os jogos contra o Fluminense e se esforçam em dobro contra o Corinthians. Além de patética e infantil, a ponto de ser constrangedor de assistir (porque ele falava realmente a sério, não estava brincando), é uma declaração de graves implicações legais. Em qualquer país sério ou que não reze na mesma cartilha da Fifa esse jogador seria indiciado.

Logo depois Ricardo Teixeira abruptamente deu sua canetada sobre o Maracanã.

Tudo muito suspeito em se tratando de quem está envolvido e do passado recente de nosso futebol. Sabe como é, gato escaldado tem medo de água fria.

Se for uma tentativa de desestabilização (depois de perder a Libertadores, eliminado pelo Flamengo, o Corinthians precisa vencer o Brasileirão no ano de seu centenário), poderia ter sido feita de maneira mais discreta... e inteligente. Vamos ver se surtirá efeito.

É a minha opinião.

Vergonha: CBF quer sujar mais um campeonato fechando o Maracanã à revelia dos clubes, da Suderj e do governo do Estado do Rio de Janeiro

O maior favorecido? O Corinthians de Andres Sanches - de novo! "Santa coincidência, Batman!", diria o Garoto Prodígio. Do "1-0-0" das armações de resultados do campeonato de 1996 para cá, a CBF de Ricardo Teixeira tem sido bastante condescendente com os corintianos. Ou é pura sorte alvinegra.

Começando, vale explicar que a Suderj, o governo do Rio de Janeiro e os responsáveis pelas obras de reforma do Maracanã deliberaram o fechamento das cadeiras inferiores após o jogo de domingo passado entre Fluminense e Vasco para o início das obras. São eles os responsáveis por liberar ou não um estádio de futebol no Rio de Janeiro. As arquibancadas continuariam liberadas por, ao menos, mais 55 dias, até que uma avaliação fosse feita, havendo, inclusive, uma grande possibilidade das arquibancadas continuarem abertas até o fim do campeonato caso Fluminense e/ou Flamengo tivessem chances reais de conquistar o título. Ponto. Porém...

Como em 2005, a CBF age arbitrariamente e favorece, desta vez no ano de seu centenário, o Corinthians (atual segundo colocado) de Andres Sanches, presidente amiguíssimo, parceiro e provável candidato à sucessão do nefasto presidente da CBF, Ricardo Teixeira e vingar-se de inimigos notórios: Fluminense e Flamengo. O Flamengo, que ha tempos faz oposição a Teixeira; o Fluminense, que cometeu a heresia de não ficar de quatro para o pequeno ser que comanda nosso futebol e ousou não liberar Muricy para a seleção brasileira - problema rapidamente solucionado, com extrema boa vontade, por Andres Sanches. O presidente corintiano sabe que com Teixeira é "toma lá, dá cá".

Todos que acompanham futebol sabiam que em algum momento haveria o troco ao Fluminense. E é apenas isso aí que podemos deduzir da arbitrária medida, sem qualquer fundamento lógico ou respaldo histórico. Apenas ingênuos ou capachos podem cair nesse argumento de "temer pela segurança do torcedor". A nota oficial da CBF é um primor de cretinice e é tão burra que dá margem, simplesmente, à anulação ou interrupção do campeonato.

O Maracanã já passou por várias reformas, inclusive com gerais totalmente fechadas, sem que as arquibancadas fossem interditadas e sem que qualquer incidente fosse registrado. Aliás, já passou por diversas reformas nas próprias arquibancadas sem que o setor fosse totalmente interditado. Nem vale a pena lembrar todos os anos, mas, como ilustração, posso citar, sem pensar muito, 1999 e 2005. É algo corriqueiro para o torcedor, que jamais se incomodou ou manifestou qualquer preocupação quanto a isso. Paulo Cesar Vasconcelos, do SporTV, canal que costuma encampar tudo que sai da CBF, reproduziu o discurso oficial falando dos entulhos que poderiam ser usados como armas em caso disso, caso daquilo... Bobagem. Pura desculpa. E daquelas bem esfarrapadas.

As entradas de arquibancadas e cadeiras inferiores são totalmente independentes no Maracanã. Esse argumento de uso de entulhos como arma é absolutamente imbecil e ofensivo, porque quer tratar a nós, torcedores, que acompanhamos futebol com muito mais interesse que Ricardo Teixeira, como idiotas. É uma coisa tão idiota como dizer que o policiamento no estádio não pode usar revólveres, porque, em caso de confusão, eles poderiam ser tomados dos policiais e serem usados por vândalos.

Alguns trechos do comunicado oficial da CBF são extremamente hipócritas. É um comunicado burro, porque sequer soube alinhavar argumentos válidos. Como se diz no popular: "Quer roubar, rouba direito."

"Trata-se de decisão motivada estritamente por motivos técnicos, visando a preservar a segurança e o conforto dos torcedores." Tolice. Como disse acima, já passamos, nós torcedores, por isso em várias ocasiões sem problema algum. Que problema de conforto poderia haver na arquibancada se as obras começarão lá embaixo? Cadeiras e arquibancadas são setores tão estanques no Maracanã que não há como passar de um lugar a outro. E outros estádios seguiram recebendo partidas da CBF em condições semelhantes. O Mineirão também já passou por isso diversas vezes. O Atlético paranaense disputou mais de um campeonato inteiro com obras no setor que fica do lado oposto às câmeras de televisão.

"Esta deliberação tem por escopo, também, manter a igualdade de condições entre os clubes participantes do Campeonato, que poderiam ser prejudicados caso a interdição do uso do estádio ocorresse em meio do returno do Campeonato." Fala sério! Isso não faz nenhum sentido. Prejudicados vão ser os que enfrentaram Flu e Fla no Maracanã em relação aos que não jogarão ali. Seguindo esse raciocínio patético, o campeonato deveria ser anulado. Apenas um de infinitos exemplos: sem o Mineirão, o Cruzeiro e o Atlético jogam itinerantemente. E aí, isso pode? Quantas vezes clubes jogaram fora de suas cidades por motivos financeiros, favorecendo alguns clubes em detrimento de outros? É possível um argumento tão hipócrita?

"Parece-nos claro, no entanto, que a forçosa diminuição da capacidade do estádio, numa fase do Campeonato que habitualmente desperta maior interesse do público, poderia levar a uma situação crítica, pela falta de ingressos que satisfizessem o natural aumento da demanda." Pois é, pode haver argumento mais hipócrita, sim. Hipócrita, cretino, idiota, burro... Então o Santos pode decidir uma Copa do Brasil num estádio como a Vila Belmiro e Flamengo e Fluminense não podem jogar para 45 mil pessoas (39 mil e poucos ingressos mais gratuidades) no Maracanã? Dizer que 45 mil lugares são insuficientes para o Maracanã receber o futebol é muita cara de pau. Então o Corinthians pode jogar no Pacaembu? Ou a torcida do Timão é tão pequena assim?

Mas espera aí! Meu Deus! O Fluminense assim vai ter que jogar agora com portões fechados, já que nenhum estádio no Rio de Janeiro vai atender à demanda de um "maior interesse do público"! Engenhão, São Januário, Raulino de Oliveira... Não dá! Cabe menos gente nesses estádios. A CBF não sabe disso? O Flu ou vai jogar de portões fechados ou... vai jogar na China, de repente. Mas o Pacaembu atende à demanda da torcida do Corinthians? Ou o Corinthians vai ter quem jogar no Morumbi se seguir bem colocado no Brasileirão?

Argumentos como os que destaquei simplesmente provam que não há justificativa válida alguma nessa interdição. E desafio a alguém provar o contrário com base nessa nota oficial. Há incoerências ali suficientes para não só interromper, como suspender de vez o campeonato brasileiro.

Ainda está lá na página principal do blog da Flusócio a enquete: "Qual o principal obstáculo do Flu na luta pelo título?" Minha resposta, postada há muito tempo, é a segunda opção, óbvia: "O prestígio atual do Corinthians na CBF". Um obstáculo não só ao Fluminense como a qualquer clube que não seja o Timão enquanto um presidente suspeito de tanta coisa ruim como Ricardo Teixeira permanecer no comando do futebol do Brasil.

A CBF prova, mais uma vez, sua torpeza com mais uma decisão que tem por intuito alterar os resultados que estão sendo conquistados dentro de campo. "O passado condena". "O hábito faz o monge". Há vários clichês baseados no passado da instituição que podem ser usados nesse caso. Assim ela deu o título ao Corinthians em 2005. Até corintiano sabe disso. E assim quer se vingar de Fluminense, líder do campeonato, à frente do Corinthians, e, por tabela, Flamengo, mesmo não estando tão bem posicionado no momento. Dois coelhos numa cajadada só.

Ouvi dizer também que a CBF poderia estar preocupada com um possível embargo dessa vergonhosa reforma do Maracanã e por isso estaria tentando acelerar o processo ou dar aparência disso. Por isso, inclusive, a retirada, primeiro, das cadeiras em frente às câmeras de televisão, para dar a impressão de que as coisas estão sendo feitas. Mas isso não é problema meu, do Fluminense, do Flamengo ou de qualquer torcedor carioca. A interdição, no contexto apresentado, é absurda.

Para mostrar isenção e que o blogueiro está totalmente equivocado, a CBF deve interditar o Pacaembu para jogos do Corinthians, São Januário para jogos do Vasco, Vila Belmiro para jogos do Santos e daí por diante. Simples assim. Caso contrário, tenho o direito de imaginar tudo que quiser e entender que é melhor pegar a taça e entregar logo no Parque São Jorge, sem precisar apelar para pênaltis ridículos e arbitragens descabidamente tendenciosas, que têm gerado críticas de praticamente todos os adversários do time paulista.

É a minha opinião.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

FÓRMULA INDY ► Will Power vence mais uma e aumenta a liderança a quatro provas do fim da temporada

Eu gosto muito de acompanhar a Fórmula Indy. Há alguns anos, bem mais que a Fórmula 1. Mas os horários das corridas da Indy quase sempre me derrubam. Como a maioria ocorre nas tardes de domingo, muitas vezes não consigo assistir.

Como no domingo passado, quando Will Power venceu sua quinta prova na temporada, desta vez o GP de Sonoma (na Califórnia, EUA), e ficou mais perto do campeonato de 2010. A quatro corridas do fim, o australiano lidera com 514, 59 à frente do escocês Dario Franchitti, seu mais próximo perseguidor.

Na prova de Sonoma, o neozelandês Scott Dixon chegou em segundo lugar e Franchitti completou o pódio. Hélio Castroneves foi o quinto colocado, Tony Kannan, o sétimo, Mário Moares, 11º, e Vitor Meira, 15º. Fechando a participação brasileira, Raphael Mattos não cruzou a linha de chegada do circuito misto, já que deixou a pista após um acidente na 67ª volta.

Abaixo, os melhores momentos da prova. Repare no incrível acidente de Dan Wheldon logo na largada.


A classificação da corrida (em negrito, os pilotos brasileiros):

1º) Will Power (AUS/Penske) – 75 voltas, 1h54min32s2568
2º) Scott Dixon (NZL/Chip Ganassi) – a 0s7432
3º) Dario Franchitti (ESC/Chip Ganassi) – a 6s6132
4º) Ryan Briscoe (AUS/Penske) – a 7s8607
5º) Hélio Castroneves (BRA/Penske) – a 10s4594
6º) Justin Wilson (ING/Dreyer-Reinbold) – a 10s9095
7º) Tony Kanaan (BRA/Andretti) – a 11s5246
8º) Ryan Hunter-Reay (EUA/Andretti) – a 11s8938
9º) Graham Rahal (EUA/ Newman-Haas) – a 17s5019
10º) Alex Lloyd (ING/Dale Coyne) – a 18s2069
11º) Mário Moraes (BRA/KV) – a 20s2411
12º) Marco Andretti (EUA/Andretti) – a 20s6759
13º) Simona de Silvestro (SUI/HVM) – a 21s8239
14º) Alex Tagliani (CAN/FAZZT)- a 22s4858
15º) Vitor Meira (BRA/AJ Foyt) – a 24s2879
16º) Danica Patrick (EUA/Andretti) – a 46s1339
17) Hideki Mutoh (JAP/Newman-Haas) – a uma volta
18º) Takuma Sato (JAP/KV) – a 1 volta
19º) E.J. Viso (VEN/KV) – 22 voltas Adam Carroll (IRL/Andretti) – a 1 volta

Não completaram:

20º) Francesco Dracone (ITA/Conquest) – 71 voltas
21º) Raphael Matos (BRA/Luczo Dragon) – 67 voltas
22º) Milka Duno (VEN/Dale Coyne Racing) – 67 voltas
23º) Bertrand Baguette (BEL/Conquest) – 65 voltas
24º) J.R. Hildebrand (EUA/ Dreyer-Reinbold) – a 38 voltas
25º) Dan Wheldon (ING/Panther) – 1 volta

Link para a classificação completa do campeonato na página oficial da Fórmula Indy: http://www.indycar.com/schedule/standings/.

Além da pontuação pela ordem de chegada ao encerramento de uma corrida, cada piloto da Fórmula Indy que liderar o maior número de voltas em cada prova receberá um bônus de 2 pontos, somados à pontuação normal. Além disso, há um ponto extra para quem conquistar a pole-position. Com isso, é possível que um piloto some 53 pontos em uma corrida. (Fonte: http://www.band.com.br/esporte/formula-indy/classificacao.asp)

POLÍTICA ► Abandonada à própria sorte e repetitiva, campanha de José Serra só falta apelar novamente para Regina Duarte

O PSDB e o DEM são partidos com os quais democraticamente não me identifico, seja em nível de ideologias, propostas, práticas políticas ou o que for. Mas isso não me impede de observar que a campanha para tornar José Serra presidente do Brasil parece claramente abandonada e equivocada.

A impressão que me dá, impressão de quem observa "do lado de cá", é que o candidato está abandonado à própria sorte, sem nenhum esforço estratégico por parte da cabeça da coligação. Fica ainda a impressão de que nomes coroados dos dois partidos evitam se expor em uma campanha aparentemente perdida, salvo um imenso acidente de percurso eleitoral. O que é uma covardia com o ex-governador de São Paulo.

Uma coisa que respeito em políticos mesmo que de orientação contrária à minha é a fidelidade a seus princípios e a seus pares. Um exemplo é a postura de Roberto Jefferson (PTB) no impeachment de Fernando Collor. Jamais votei e jamais votarei em Roberto Jefferson (se fizer isso, internem-me, porque provavelmente terei perdido o juízo), mas até hoje o respeito por não ter participado daquele espetáculo patético que foi protagonizado por diversos políticos da base governamental de Collor.

Vendo que o impeachment passaria, muitos decidiram abandonar o barco na última hora e surfar na onda popular do movimento, votando pela derrubada do presidente que apoiavam, com direito a inflamados e hipócritas discursos moralistas. Ao votar "não", Jefferson justificou dizendo que não fazia sentido votar contra o homem que ele apoiara até ali. Legal. Discordo totalmente do voto, mas democraticamente o respeito, sentimento que não tenho em relação àquela enxurrada de falsos "sim".

Por isso acho que a participação - ou, no caso, a não participação - de nomes como Aécio Neves na campanha do candidato de seu partido à presidência da República é simplesmente vergonhosa. Enquanto Aécio mantém-se distante do pleito principal do país, vai garantindo com imensa folga sua vaga no Senado em Brasília por Minas Gerais - onde José Serra aparece atrás de Dilma Rousseff (PT) nas pesquisas.

E muitos peessedebistas estão agindo como Aécio. A intenção, na minha interpretação, é clara: ficar distante de uma candidatura que eles mesmos julgam derrotada, evitar se expor em um palanque contrário ao popularíssimo presidente Lula e assim seguir "imaculado" rumo a futuras eleições.

Ao lado de Serra, mas já sem o mesmo ânimo, apenas os chamados "jornalões" de Mino Carta (leia aqui).

Sem apoio político e sem criatividade, a campanha José Serra cai em discursos vazios, repetindo contra Dilma Rousseff mesmos argumentos usados contra Lula em eleições passadas: inexperiência, despreparo, ameaça de choque econômico, choque fiscal... Só falta ressuscitar Regina Duarte e seu vergonhosamente histórico bordão: "Eu tenho medo!" Em um ato que denuncia já certo desespero, até Lula Serra jogou em sua campanha.

Melhor seria que o candidato da coligação PSDB/DEM se prendesse a uma campanha de propostas efetivas, minimizando críticas como as citadas acima e mostrando suas ideias para mudar o que acha que está errado e aperfeiçoar o que julgar estar correto nas ações do atual governo. Simples assim, de maneira técnica. Até porque - como Dilma, aliás - Serra é considerado técnico competente. Só que Dilma está muito amparada pelos seus e Serra, não. Então faria mais sentido fazer campanha como um técnico e não como um político tradicional, papel em que não se sente nada à vontade, nunca representou bem e no qual sente imensa falta de uma direção ao menos interessada.

Posso estar completa e redondamente enganado, mas é assim que vejo a coisa.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

BRASIL ► Estes indivíduos merecem nova chance para conviver em sociedade?

Deu na internet (clique aqui para ver texto original):
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22/08/2010 12h48 - Atualizado em 22/08/2010 12h52
Homem é morto após parar carro com defeito em rua no interior de SP
Motorista de micro-ônibus teria se irritado com bloqueio e atirado.
Caso aconteceu em Serrana, no interior de SP, na noite de sábado (21).
Do G1 SP, com informações da EPTV

Um ajudante de caminhoneiro de 28 anos foi morto na noite deste sábado (21) em Serrana, a 313 km de São Paulo, depois que seu carro teve um defeito e parou no meio da rua. O motorista de um micro-ônibus é suspeito do crime.

De acordo com testemunhas, o motorista do coletivo, que levava funcionários de uma transportadora, se irritou com o veículo da vítima parado no meio da rua. O pai do suspeito desceu do veículo e mandou o ajudante de caminhoneiro tirar o carro do caminho. Como isso não foi feito, o motorista do micro-ônibus atirou e atingiu a cabeça da vítima.

Em seguida, o pai do motorista tirou o carro da rua para dar passagem ao coletivo. Ele e o filho ainda não foram localizados.

O homem foi socorrido e levado para a unidade de emergência do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, também a 313 km de São Paulo, onde morreu na madrugada deste domingo (22). Ele será enterrado nesta tarde.
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Até quando a justiça brasileira será condescendente com assassinos assim? Em qualquer lugar do mundo a sociedade não correria o risco de ver novamente em liberdade esse tipo de gente.

Mas será gente mesmo?